Tenho HIV. E agora?

(Texto publicado pela primeira vez em 02 de agosto de 2019)

O medo. Medo de morrer. De adoecer. De sofrer. De repente parece que todos aqueles problemas  cotidianos que você tinha desaparecem e se transformam em apenas uma única palavra naquela folha de exame: REAGENTE.

O que vou fazer da vida agora? Como as pessoas vão reagir? Como vou contar para minha família? Meu namorado? Meu Deus! Será que ele tem o vírus também? Será que eu o infectei? Ou foi ele quem me passou?? Estou sem ar. Zonzo. Acho que vou vomitar.

Essa cena se repete várias vezes, dia após dia, nos centros de testagem do país,  há vários anos, desde o início da epidemia de HIV em meados da década de 80. Descobrir-se soropositivo dá com certeza um grande choque inicial, que revela inseguranças e medos que na maior parte do tempo procuramos esconder e traz à tona questões que sequer vislumbrávamos antes do diagnóstico. É uma barra. É um beco. COM saída.

Graças aos avanços da medicina, a realidade de quem vive com HIV/AIDS mudou drasticamente nos últimos anos: medicações eficientes e bem toleradas, diagnósticos precoces, diminuição do estigma e existência de políticas de saúde eficientes. Ninguém opta por viver esta realidade, mas já que ela existe, é possível vivê-la da melhor maneira possível e com MUITA qualidade de vida.

Meu conselho? Chore. Esperneie. Revolte-se (sem se machucar). Liberar toda a  raiva, frustração e medo após o diagnóstico faz parte do próprio tratamento. Não reprima suas emoções.

Há uma espécie de luto inicial que se assemelha àquelas célebres fases de Kubler-Ross (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação) na vida do soropositivo recém-diagnosticado. Por que foi acontecer logo comigo? O que eu fiz para merecer isso? Meu Deus, o que eu posso fazer para acordar desse pesadelo? Mas todas essas fases sempre passam. Vão passar. Assim como já  aprendemos em outros momentos de nossas vidas, como por exemplo na autoaceitação de nossa orientação sexual: IT GETS BETTER (melhora!).

#doutormaravilha #wonderdoctor #hiv #gaydoctor #thenormalheart #aids #tenhohiv #saudelgbt #saudelgbttqia 
#saudelgbttqia #lgbthealth #sexualidade #infectologia #gaysp #medicina #infectologista

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.