A AIDS não está lá fora, está aqui. Não é problema do outro, é nosso!

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O ano é 2018. A epidemia de HIV/AIDS continua em alta, principalmente entre jovens. As enfermarias de infectologia dos hospitais ainda permanecem com inúmeros casos de imunodepressão avançada (estágio em que as células de defesa do organismo já estão número reduzido, predispondo a uma série de infecções oportunistas). É a AIDS.

Tuberculose. 

Pneumocistose.

Neurotoxoplasmose.

Câncer.

Dentre outras.

Por que ainda tantos diagnósticos tardios? A AIDS (Síndrome da Imunodeficência Adquirida), leva em média 5 -10 anos para se manifestar, com algumas exceções, é claro. Ou seja, se eu me infecto com o HIV hoje, talvez seja só após 5 anos que eu possa começar a ter sinais de imunocomprometimento (pneumonias de repetição, alterações na pele, perda de peso e diarreia por exemplo).

Por que então as pessoas não fazem o exame regularmente? Por que muitxs descobrem sua sorologia só nos leitos de UTI, nas enfermarias ou nos prontos-socorros?

Há uma série de razões apontáveis. Mas muitas vêm culturamente de se acreditar que a temática de HIV/AIDS é pertinente apenas a certos grupos (gays, transexuais/travestis, trabalhadores do sexo) e, também, de o assunto SEXO não ser de fato um assunto explorado profundamente e seriamente pelas pessoas, em seus círculos familiares ou de amizade.

" – HIV deve ser assunto de mesa de bar!"  – é o que eu sempre digo. De almoço de domingo, jantar entre amigos, no bate-papo pós-gozo. Parem de achar que nunca vai "isso" acontecer com você. Você transa? Pode acontecer sim. Aliás, pode acontecer até com quem não transa. Haja visto os casos de transmissão vertical e acidentes ocupacionais.

Recentemente nas minhas andanças pelo interior do país, agora como cidadão honorário tocantinense, recebi um caso de um estudante de medicina com neurotoxoplasmose. Jovem, gay, vinte e poucos anos, estudante de MEDICINA. E aí, ficou surpreso com a situação? Como "aspirante a médico" ele deveria saber? Deveria ter se cuidado mais? Deveria ter se testado antes?

São julgamentos possíveis. Mas apenas julgamentos. Afinal você mesmx, quando foi a última vez em que se testou? Quando foi seu primeiro teste de HIV e de outras IST´s (infecções sexualmente transmissíveis) da vida?  Vejo gente se testando pela primeira vez com trinta, quarenta, cinquenta anos. É um absurdo.

E se estivessem infectadas há muito tempo? O que poderia ter acontecido com elas? Estariam em posição de julgar alguém?

Vejo gente que só porque está casada, está namorando, está usando preservativo regularmente, não acha que precisa se testar. Daí um dia algo acontece e a pessoa fica completamente perdida. Medicina não é matemática. Nada é 100% eficaz. Nada é 100% certeza, principalmente em relação ao sexo.

Até o preservativo possui uma eficácica de cerca de 80% para algumas IST´s e poucas pessoas falam disso. Portanto baixemos a bola. Vamos usar sim as estratégias de prevenção combinada (PEP, PrEP, preservativos internos e externos, acordos entre pares) mas vamos também fazer nossos exames! Pelo menos uma vez ao ano.

Pare de achar que HIV é problema do filho gay da vizinha. Do seu cabeleireiro. Da mulher trans da novela. Da trabalhadora do sexo das esquinas.

O HIV não está lá. Está aqui. E embora ainda não haja cura, há sim muita solução! 

Procure um Centro de Testagem e Aconselhamento ou um infectologista de confiança.

Você não estará sozinhx. Eu e mais um time de profissionais  muito competentes pelo país estaremos com você.

 

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