Epidemia: dengue, chicungunya e zika! Entenda a diferença uma vez por todas e saiba que cuidados tomar.

Vivemos uma epidemia sem precedentes: pronto-socorros lotados e noticiários alarmantes sobre malformações congênitas e síndromes potencialmente fatais relacionadas a infecções por certos vírus. E tudo isso tem origem em um só mosquitinho: o Aedes aegypti. Todas estas doenças têm um sintoma importante muito comum: a febre, que geralmente vem acompanhada de muitas dores musculares, dor retroorbitária (atrás dos olhos), prostração, náuseas, rash (manchas pelo corpo) e dores nas articulações. Mas quando se analisa mais profundamente é possível ver algumas diferenças entre elas, além é claro das complicações específicas de cada uma.

POSTAGEM 12

mosquito

  Dentre elas a dengue é com certeza a mais perigosa, pelo seu grande risco de gerar desidratações graves e hemorragias. É como se a parte líquida do sangue não conseguisse ficar dentro dos vasos e extravasasse. Pessoas que já apresentam algum problema de saúde (hipertensão, diabetes, doenças genéticas), os mais idosos e as crianças são particularmente vulneráveis a apresentarem as formas mais graves , como a dengue hemorrágica. A fase crítica da dengue é quando a febre está indo embora (geralmente do terceiro ao sétimo dia de doença) que é quando aparecem os famosos sinais de alarme: dor abdominal intensa, sangramentos, queda da pressão, diminuição do volume urinário. Nesse período deve-se ter a maior atenção e praticar a principal medida salvadora: hidratar-se! Caso não seja possível por via oral, que seja pela via endovenosa. Um exame comum de sangue, o hemograma, é capaz de determinar a gravidade de cada caso e orientar o médico sobre a melhor abordagem.

denguehemo

  Que exame se faz para se confirmar a dengue? Embora não seja estritamente necessário, principalmente em tempos de epidemia quando uma pessoa com um quadro típico já ganha o diagnóstico presuntivo, os exames ajudam sim a confirmar os casos e por isso têm valor em aspectos estatísticos para promover avanços no sistema de saúde. No caso da dengue há basicamente dois exames. O teste rápido (detecção do antígeno NS1), que deve ser realizado até o quarto dia de sintomas e a sorologia, que deve ser realizada após o sexto dia. Mesmo negativos não afastam o diagnóstico de dengue.

  A febre chicungunya, que chegou país em 2010, também apresenta essa constelação de sintomas como febre, dor muscular, prostração e fraqueza, mas traz consigo um dos sintomas em uma forma muito mais intensa: a dor articular! Joelhos, punhos, tornozelos, todas articulações podem ficar muito doloridas e o pior, podem levar muito tempo para melhorar, até mesmo meses! É uma doença que preocupa principalmente do ponto de vista previdenciário, já que essas artralgias (dores nas juntas) podem durar muito tempo e diminuir a capacidade laboral de muitas pessoas. Em tempos de crise como o nosso é ainda mais difícil para os cofres públicos arcar com gastos assim.

POSTAGEM 12.2  Embora raramente seja fatal, pois não gera alterações na permeabilidade dos vasos sanguíneos e problemas na coagulação do sangue, já foi sim registrado um caso de morte por chicungunya devido a miosite grave (inflamação dos músculos). Quando os músculos inflamam, devido ao tropismo (atração) do vírus por células musculares, eles liberam na corrente sanguínea substâncias que podem sobrecarregar os rins, gerando perda de função renal, consequentemente com distúrbios metabólicos e podendo acarretar a morte. Além é claro de prejudicar funções que dependem dos músculos, como os movimentos respiratórios, gerando situações dramáticas.

  Já a febre Zika, cujos primeiros casos foram descritos no Nordeste no ano passado, apresenta na verdade os sintomas de uma dengue mais branda: menos febre, menos dor, menos fraqueza. Apenas um deles, o rash (as manchas pelo corpo) é surpreendentemente mais intenso e incômodo: coça demais! A pessoa fica toda “empolada”, lembrando muito os quadros alérgicos, e além disso os pacientes podem apresentar sinais de conjuntivite (olhos com sensação de estarem sujos de areia e bem vermelhos).

  Alguns meses após os primeiros surtos de Zika no país, começaram a nascer, principalmente no Nordeste, bebês com quadro de microcefalia (diminuição do perímetro craniano em relação aos valores normais) o que geralmente leva a déficits cognitivos e outros problemas neurológicos. A associação entre Zika e estas malformações ainda não têm um veredito, mas a comunidade científica está empenhada (Brasil em parceira com os EUA) para elucidar a situação. Mas já recomenda-se que gestantes evitem viagens para lugares com suspeita de circulação do vírus e aquelas que tiveram um quadro sugestivo de febre viral na gestação procurem ajuda médica.

  Um outro risco é a síndrome de Guillain-Barré, em que a membrana que envolve os nervos periféricos do corpo é perdida temporariamente e a pessoa sofre uma espécie de para ou tetraplegia transitória, devendo ser hospitalizada e receber tratamento específico, pois até os músculos da respiração podem ser paralisados. Esta síndrome pode ocorrer após várias infecções virais, mas percebeu-se uma incidência considerável nos casos de Zika.

  Para febre Chicungunya e Zika Virus já existem testes específicos (testes rápidos e sorologias) mas que não estão disponíveis em todos os centros de saúde. Amostras suspeitas são encaminhadas para os hospitais de referência.

  No final o que se conclui é que por serem tão parecidas, deve-se tratar todas estas doenças como se fossem dengue: reforçando a hidratação, dando atenção para sinais de alarme, evitando o uso de AAS (ácido acetil-salicílico, que inativa a função das plaquetas por um tempo) e aliviando os sintomas com medicações mais seguras como o paracetamol e a dipirona.

zika-e-dengue

  Os casos de microcefalia ainda estão em investigação e serão com certeza abordados aqui. É angustiante pensar em como essas mães e pais estão se sentindo e ainda vivendo a incerteza por não saberem de fato o que ocorreu.  Podemos e devemos sim fazer nossa parte: evitar a proliferação do vetor (transmissor)! Eliminar os reservatórios de água parada, conscientizar amigos e familiares e mostrar que somos uma nação unida e forte que não vai se deixar abater por um simples mosquito.

POSTAGEM 12.4  

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0

Deixe uma resposta